Como é a ‘casa caída’ onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA
Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, onde as crianças desapareceram há 13 dias. No entanto, considerando os obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km.
O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco. Após relato de menino de 8 anos, cães farejadores indicam que crianças desaparecidas estiveram em casa abandonada no MA. O ponto foi descrito por Anderson Kauã, de 8 anos, após ser encontrado no dia 7 de janeiro. Ele relatou à equipe multiprofissional do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), que o acompanha, que chegou ao local com os primos e que deixou os dois na casa enquanto saiu em busca de ajuda.
Anderson afirmou que ele e os primos passaram pelo menos uma noite no abrigo, que fica a cerca de 500 metros de onde ele foi localizado. Segundo o Corpo de Bombeiros, a região possui ao menos outras quatro casas próximas, entre elas a de um morador e a do carroceiro que encontrou Anderson. “Ali nós apostamos como ponto inicial de informações concretas por onde as três crianças teriam passado, ou melhor, teriam passado uma noite. Mostramos fotografias que foram confirmadas e reafirmadas várias vezes pelo Kauã“, disse o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, não havia sinais da presença de outra pessoa e os cães identificaram exclusivamente o cheiro deixado pelas crianças. Ainda segundo ele, as casas da região são usadas para plantio e pesca, e os donos das casas possuem residência fixa em Bacabal. No entanto, a investigação não detalhou se essas pessoas irão prestar depoimento e se serão investigadas.
O secretário explicou ainda que os cães desceram uma ribanceira e circularam perto de um lago durante as buscas. As equipes não encontraram novos vestígios, e o trabalho agora avança para um perímetro maior. “Os cães farejadores identificaram a presença das três crianças, inclusive como o Kauã descreveu, indicando quem entrou por qual lado da casa. Os três estiveram lá“, disse o secretário.
As buscas pelos irmãos entraram no 13º dia nesta sexta-feira (16). Mais de 500 pessoas entre agentes de forças de segurança e voluntários trabalham nas buscas. As equipes continuam as buscas em trilhas, caminhos e veredas próximas ao povoado, em áreas que podem ter sido percorridas pelas crianças. A operação recebeu reforço de outros estados na quarta-feira (14) com a chegada de sete bombeiros do Pará, com dois cães farejadores e outros cinco bombeiros do Ceará também desembarcaram com mais quatro cães. Na madrugada de quinta (15), a cadela farejadora Iara, que integrava a equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará e faria parte da força-tarefa, morreu enquanto se deslocava do Ceará para o Maranhão.
Varredura por quadrantes
Segundo o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, as equipes passaram a trabalhar por quadrantes para garantir uma varredura minuciosa na área delimitada. “Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças não estão ali“, explicou o major. Cada quadrante tem cerca de 90 mil metros quadrados. Ao todo, são 45 quadrantes, dos quais 25 já foram totalmente vistoriados.
A estratégia foi definida com base em um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, o local onde roupas foram encontradas e onde um dos meninos foi visto pela última vez.
Para monitorar as rotas percorridas, os bombeiros e voluntários usam um aplicativo de geolocalização para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo.
Como são as buscas na região
Cerca de 500 pessoas participam das buscas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários. Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações para reunir informações que possam ajudar na localização de Ágatha e Allan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, está em Bacabal desde domingo (11).
A equipe multidisciplinar do IPCA conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais e por ouvir familiares das crianças.
