ICMBio estuda limitar entrada de visitantes nos Lençóis Maranhenses após recorde histórico de turismo
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) avalia medidas para restringir o número de visitantes no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM), no Maranhão, para garantir a preservação do ecossistema e manter o título de Patrimônio Natural Mundial concedido pela UNESCO em 2024. Em 2025, a unidade registrou um recorde histórico: mais de 650 mil visitantes, um aumento superior a 400% em relação a 2019.
“O aumento da visitação turística em um parque nacional pode gerar impactos negativos sobre a unidade de conservação, como a compactação do solo, erosão de trilhas, perturbação da fauna e aumento da geração de resíduos. Além disso, a pressão excessiva sobre áreas sensíveis e a superlotação podem comprometer a experiência do visitante, resultando em perda da sensação de contato com a natureza, conflitos de uso e redução da qualidade da visita, ao mesmo tempo em que colocam em risco os objetivos de conservação que justificam a proteção da área“, destaca o ICMBio, que é responsável pela gestão do PNLM.
Para enfrentar o problema, a administração do Parque Nacional está conduzindo um projeto piloto para definir o Número Balizador da Visitação (NBV) – parâmetro que indica a quantidade máxima de visitantes que uma área pode receber sem comprometer a conservação e a segurança. A iniciativa conta com a participação de representantes do ICMBio, das prefeituras de Santo Amaro do Maranhão, Barreirinhas e Primeira Cruz, SEBRAE e instituições de ensino, como Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Segundo o ICMBio, limitar o acesso quando necessário é fundamental para garantir turismo sustentável e proteger um dos cenários naturais mais famosos do Brasil. “Proteger o PNLM é responsabilidade de todos: ICMBio, prestadores de serviço, operadores, turistas e moradores“, reforça a equipe do parque.
Com grandes dunas de areia branca e lagoas cristalinas de água doce, formadas pelas chuvas e lençóis freáticos, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, localizado no litoral do Maranhão, encanta pelo complexo natural que reúne paisagens de tirar o fôlego. A beleza e a conservação da área consagrou os Lençóis Maranhenses com o título de Patrimônio Natural da Humanidade concedido pela Unesco, em julho de 2024. Os Lençóis Maranhenses eram o único representante do Brasil na lista.
Os Lençóis estão inseridos em uma zona de transição dos biomas do Cerrado, da Caatinga e da Amazônia. O selo da UNESCO foi dado porque o local cumpre todos os requisitos ao título, que valoriza a importância ambiental dos lugares e a necessidade da sua preservação. Dentre os critérios avaliados que levaram a unidade de conservação a conquistar o reconhecimento estão sua beleza excepcional e o fato de ser um fenômeno natural único no mundo.
Os Lençóis Maranhenses foram avaliados na categoria natural, junto com os seguintes locais:
CHINA: Badain Jaran Desert – Towers of Sand and Lakes (Deserto Badain Jaran – Torres de Areia e Lagos, localizado na Mongólia, província da China)
BRASIL: Lençóis Maranhenses National Park (Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses)
REINO UNIDO E IRLANDA DO NORTE: The Flow Country (Maior extensão de pântano da Europa)
BÓSNIA E HERZEGOVINA: Vjetrenica Cave, Ravno (Vjetrenica – caverna com a maior biodiversidade do mundo localizada em Zavala)
Com o título, os Lençóis devem receber ainda mais atenção para a prevenção de seus recursos naturais e biodiversidade. O paraíso que, até pouco tempo era “escondido”, tem ganhado cada vez mais visitantes de turistas do Brasil e de todas as partes do mundo que se encantam com a beleza do local.
Acesso de turistas
Criado em 1981, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A entidade é responsável cuidar das agências e operadores de turismo credenciados junto ao parque. Para quem chega por Santo Amaro do Maranhão, a partir de julho, é necessário o pagamento de uma taxa de R$ 10 para ter acesso ao parque. A taxação é feita pela Prefeitura do município ocorre mesmo após uma decisão da Justiça que entendia que a cobrança era inconstitucional. Por se tratar de uma área de conservação ambiental federal, o trânsito de veículos (quadrículos ou caminhonetes 4×4) só é feito por agências ou operadores de turismo credenciados ao ICMBio.
