Após 32 anos, lavradora consegue, em poucos minutos, incluir nome do pai no registro
Após 32 anos, uma lavradora maranhense conseguiu abandonar um desconforto pessoal que a acompanhava a cada novo cadastro que precisava fazer: a falta de registro do pai. Nessa quarta-feira (25), a espera da trabalhadora acabou, e agora ela passa a ter o nome do pai, também lavrador, em sua documentação.
A filha Deusaíris Francisca e o pai, de 56 anos, Manuel Pereira da Silva, conseguiram registrar o parentesco em poucos minutos, durante um atendimento no projeto Conciliação Itinerante, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), no município de Pastos Bons.
“Quando perguntavam pelo pai, eu aparecia como filha de pai desconhecido. Ter o nome dele agora é muito gratificante”, disse a lavradora maranhense.
Já o pai, afirmou que sempre soube da paternidade, mas faltava formalizar. “Eu já sabia que era pai dela, mas agora resolvemos colocar meu nome no documento. É muito importante”, disse.
Maranhense conseguiu incluir nome da mãe no documento por meio de videoconferência
Em outro atendimento, uma história marcada pela distância também foi beneficiada pela a ação. Por videoconferência, a lavradora Daniela Rodrigues da Silva conseguiu incluir o nome da mãe biológica, que mora no Mato Grosso, em seus documentos.
Criada por outra pessoa, Daniela disse que aguardava por esse momento há anos. “Agora me sinto melhor sabendo que tem minha mãe biológica no meu registro”, afirmou.
Para Maria Madalena de Souza, outra beneficiada pela ação, o mutirão significou o fim de uma espera de 31 anos. Separada de fato, ela não conseguia oficializar o divórcio porque o ex-marido vive no Pará e ela não tinha condições financeiras para arcar com um processo tradicional. “Eu estava barrada por causa desse documento. Onde eu vou, não consigo trocar minha identidade porque sou casada no papel. Agora minha vida vai melhorar”, relatou.
Renegociação de dívidas
Além das demandas familiares, o mutirão abriu espaço para acordos financeiros. Empresas locais e moradores puderam renegociar débitos de forma direta, evitando processos longos.
A educadora social A.S. aproveitou a oportunidade para regularizar uma dívida de 2024. Com o acordo, conseguiu retirar a restrição do nome e retomar o crédito. “A gente passa por muitas dificuldades financeiras. Ter essa chance de renegociar ajuda muito”, disse.
A iniciativa integra o projeto Conciliação Itinerante, que percorre cidades do interior com uma unidade móvel equipada para atendimentos jurídicos. O objetivo é aproximar os serviços da população e facilitar o acesso à Justiça, especialmente em regiões mais distantes.
Após passar por Pastos Bons, Paraibano e São João dos Patos, a equipe segue com atendimentos em Passagem Franca e Mirador, dando continuidade ao cronograma na região.
Mais do que números, a ação deixou marcas em documentos e também na memória de quem saiu com a sensação de ter, finalmente, resolvido um capítulo importante da própria história.
