IFMA conquista primeira patente estrangeira com pesquisa a partir da coroa do abacaxi
A coroa do abacaxi que, normalmente, vai para o lixo ganhou status de inovação científica. Vista pela agroindústria como um resíduo de baixo valor, ela se tornou objeto de estudo da professora Ana Angélica Macêdo e de sua equipe de pesquisa no IFMA – Campus Imperatriz.
Os pesquisadores identificaram aplicações para a fibra dessa parte da fruta para a indústria de base em produtos automobilísticos, biomédicos, eletroeletrônicos, embalagens, têxteis entre outros. A pesquisa resultou na primeira patente estrangeira do IFMA, concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial de Portugal.
Intitulado “Processo de reticulação de fibras da coroa do abacaxi”, o pedido de patente foi motivado a partir da colaboração que a pesquisadora do IFMA tem com o professor Fernando Mendes, do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC/ESTeSC). “Iniciamos essa parceria em 2022 com o propósito de produzir materiais compósitos sustentáveis a partir de fibras vegetais”, afirmou Ana Angélica.
Além dos professores, a pesquisa com a coroa de abacaxi foi desenvolvida pelos estudantes do curso de Engenharia Elétrica do Campus Imperatriz, Moisés Morais e Fancielle Freitas. O estudo foi realizado no laboratório do Campus Imperatriz. Nos últimos anos, o espaço recebeu investimentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).
A equipe tem como objetivo desenvolver trabalhos que possibilitem substituir os materiais de origem sintética pelos de procedência natural, pois eles geram redução de custos dos produtos e auxiliam na preservação ambiental. De acordo com Ana Angélica Macêdo, a sustentabilidade e o baixo custo são critérios relevantes na escolha dos temas de estudo do grupo. O abacaxi, por exemplo, é comum e acessível, pois o Brasil é um dos maiores produtores dessa fruta.
Concessão da patente
Para que uma descoberta científica tenha sua autoria reconhecida é necessário realizar o processo de registro de patente. A analista de inovação da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPGI) do IFMA, Jaqueline Nascimento, explica que a patente é importante porque confere exclusividade sobre a invenção, protegendo o conhecimento produzido de ser explorado por outras pessoas sem a devida autorização.
O processo de pedido de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial de Portugal iniciou em 2023. Em 2024 o pedido foi publicado e, agora, ocorreu a concessão da patente. “O depósito foi fruto de uma cooperação estratégica com o Instituto Politécnico de Coimbra, por meio do INOPOL. Nesta parceria, o INOPOL figura como titular e o IFMA é o cotitular, o que demonstra a força das nossas redes globais de pesquisa”, destaca Jaqueline.
A participação do Instituto no processo de depósito foi coordenada pela Agência IFMA de Inovação (AGIFMA). Segundo o diretor da AGIFMA, Daniel Lima, além dos pedidos de patentes, os pesquisadores do IFMA devem solicitar apoio à Agência para qualquer modalidade de propriedade intelectual desenvolvida a partir das atividades de pesquisa.
Para Jaqueline Nascimento, com a concessão da patente, o IFMA vai poder negociar o licenciamento dessa tecnologia com o setor produtivo. “Isso garante que o conhecimento gerado pelos nossos pesquisadores retorne para a sociedade na forma de inovação e novos recursos para a ciência maranhense”, afirma a analista.
Daniel acredita que essa conquista representa muito mais que o reconhecimento formal de uma tecnologia. “Ela simboliza a força da cooperação científica e o compromisso das instituições com a inovação e o desenvolvimento tecnológico”.
A professora Ana Angélica pontua que a patente estrangeira traz várias contribuições tanto para o ambiente da pesquisa, quanto para a sociedade. “Esse registro contribui para o aumento da produção científica. Ele colabora com a formação dos estudantes da graduação, estimulando a pesquisa multidisciplinar, além de contribuir com o desenvolvimento da sociedade ao investir em produtos sustentáveis”, afirma a pesquisadora.
