Sintomas e mitos da ELA, a doença que matou Eric Dane, de Grey’s Anatomy
A morte do ator Eric Dane, aos 53 anos, reacendeu o debate sobre a esclerose lateral amiotrófica, doença rara e progressiva que o artista havia tornado pública no ano passado. Conhecido mundialmente pelo papel de Mark Sloan na série Grey’s Anatomy, Dane não resistiu às complicações da condição, que compromete gradualmente os movimentos do corpo.
A esclerose lateral amiotrófica, conhecida pela sigla ELA, é uma doença neurodegenerativa que atinge os neurônios motores responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos. À medida que essas células morrem precocemente, o corpo perde, de forma progressiva, a capacidade de realizar movimentos voluntários.
Segundo a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, a ELA é a forma mais comum das chamadas doenças do neurônio motor. Já a Mayo Clinic explica que os sintomas variam conforme as regiões afetadas, mas, em geral, a enfermidade começa com fraqueza muscular localizada e evolui ao longo do tempo.
Principais sintomas
Os primeiros sinais podem incluir dificuldade para caminhar ou executar tarefas cotidianas simples, tropeços frequentes, fraqueza nas pernas, pés e tornozelos, além de perda de força nas mãos. Também são comuns fala arrastada, dificuldade para engolir, cãibras musculares e espasmos.
Em estágios mais avançados, podem surgir alterações emocionais involuntárias, como crises de riso ou choro, além de mudanças cognitivas e comportamentais em parte dos pacientes.
De acordo com informações do Hospital Lusíadas, a expectativa média de sobrevida após o diagnóstico costuma variar entre dois e cinco anos. A doença é considerada rara e atinge cerca de cinco pessoas a cada 100 mil habitantes. Há, no entanto, variações importantes na evolução clínica: alguns casos apresentam progressão rápida, enquanto outros podem ter curso mais lento, permitindo sobrevida de 10 a 15 anos.
Complicações respiratórias são frequentes, já que a perda de força muscular compromete a expansão pulmonar, aumentando o risco de infecções e má oxigenação do sangue.
Mitos e verdades sobre a ELA
Apesar do avanço nas pesquisas, ainda há desinformação em torno da doença. A ALS Association lista alguns dos mitos mais comuns.
A ELA é sempre hereditária
Não é verdade. Cerca de 90% dos casos são esporádicos, sem histórico familiar conhecido. Apenas aproximadamente 10% têm origem genética. Nessas situações, existe 50% de chance de transmissão da mutação para os descendentes.
Só pessoas idosas desenvolvem ELA
A maioria dos diagnósticos ocorre entre os 40 e 70 anos, com média por volta dos 55. No entanto, há registros de casos em pessoas na faixa dos 20 e 30 anos. O chamado início precoce, antes dos 45 anos, representa cerca de 10% dos casos.
A doença não afeta o cérebro
Embora a ELA seja conhecida principalmente pelos impactos motores, cerca de 20% dos pacientes também podem desenvolver degeneração frontotemporal, condição associada a alterações de personalidade, comportamento e linguagem.
A ELA evolui da mesma forma em todos os pacientes
A progressão varia significativamente. Não existem dois quadros idênticos. Em alguns pacientes, a evolução é lenta; em outros, o declínio funcional ocorre de maneira acelerada.
Ainda sem cura, a ELA segue sendo alvo de pesquisas em busca de terapias que retardem sua progressão e melhorem a qualidade de vida dos pacientes. A morte de Eric Dane amplia a visibilidade sobre uma condição que, apesar de rara, tem impacto profundo na vida de milhares de pessoas em todo o mundo.
