Raio-X da adolescência brasileira: veja dados do IBGE sobre estudantes de 13 a 17 anos
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, apresenta um diagnóstico sobre a realidade de mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos que estudam nas redes pública e privada no Brasil. Os dados mostram desafios em diferentes áreas como a infraestrutura escolar, violência dentro e fora da escola, saúde mental entre os estudantes e percepção da imagem corporal.
Pobreza menstrual e insegurança interfere no comparecimento às aulas
Um dos pontos de destaque é o impacto da pobreza menstrual: cerca de 15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no ano anterior à pesquisa por falta de absorventes.
O índice chega a 17% na rede pública e 6% na rede privada. Enquanto o Sudeste oferece absorventes em 92% das escolas, na região Norte esse número cai para 56%.
Falta de absorvente leva alunas a faltarem às aulas
Além disso, a insegurança é um fator que influencia escolares dessa faixa etária a faltar às aulas. Mais de 1,5 milhão de estudantes (12,5%) faltaram por medo no trajeto entre casa e escola, enquanto 13,7% não se sentiram seguros dentro das próprias instituições. O estado do Rio de Janeiro apresenta o cenário mais crítico de suspensão de atividades por violência, com um índice de 25,6%, mais que o triplo da média nacional.
Ascensão dos vapes
A pesquisa aponta uma mudança drástica no comportamento de consumo de tabaco. A experimentação de cigarros eletrônicos (vapes) saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. O uso recente desses dispositivos cresceu mais de 300% no período. Em contrapartida, houve uma queda na experimentação de cigarros comuns (de 22,6% para 18,5%) e de narguilé (de 26,9% para 16,4%), sugerindo uma substituição de produtos, especialmente entre alunos de escolas particulares.
Violência sexual e ambiente escolar
Os indicadores de violência sexual mostram que 9% dos estudantes afirmaram ter sido forçados a ter relações sexuais contra a própria vontade, um aumento de 2,5 pontos percentuais em relação ao último levantamento. Entre as meninas, esse índice chega a 26%. Em 66% dos casos, o primeiro episódio ocorreu até os 13 anos de idade, e a maioria dos agressores são pessoas próximas, como familiares (26,6%) e namorados (22,6%).
No entorno das escolas, a percepção de violência é alta. Diretores relataram a presença de venda de drogas (38%) e assaltos (28,4%) nas proximidades das instituições. O Distrito Federal registrou os maiores índices de criminalidade no entorno escolar em diversas categorias monitoradas.
Percentual de estudantes de 13 a 17 anos em escolas cujo responsável da instituição ou diretor tiveram de suspender ou interromper as aulas por motivo de segurança em termos de violência alguma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa.
O bem-estar emocional dos adolescentes brasileiros tem sofrido quedas sucessivas. A satisfação com o próprio corpo caiu de 70,2% em 2015 para 58% em 2024. A insatisfação é o dobro entre as meninas (36,1%) comparada aos meninos (18,2%), sendo a aparência física o principal motivo de bullying nas escolas.
A saúde mental também foi abordado na PeNSE: 29% dos jovens relataram sentir-se tristes “na maioria das vezes” ou “sempre”, índice que sobe para 41% entre as estudantes do sexo feminino. Além disso, 18,5% dos adolescentes consideram que a vida não vale a pena ser vivida, e 26,1% sentem que ninguém se preocupa com eles.
